.Livro X Filme: Guerra Mundial Z

Sim… é mais um post sobre zumbis!

Todo amante de livros que passa pela experiência de ver uma obra querida ser adaptada para o cinema se vê  numa encruzilhada: se ater à fidelidade dela ao original ou não. É simples: ou você se prende aos detalhes e pode amar/odiar uma adaptação ou você pode considerar como duas coisas independentes, sem nenhuma ligação obrigatória.

Considerando que perdas sempre vão acontecer no sentido livro – filme, é importante falar que existem sim boas adaptações cinematográficas (mas vai do julgamento de cada um determinar estes parâmetros de qualidade), como por exemplo Entrevista com o Vampiro, se ignorarmos o que fizeram com o Armand.

Pessoalmente, ao assistir uma adaptação de um livro que eu tenha lido – em especial de um livro que eu goste – sempre tento pensar no filme como uma obra independente. Sou muito exigente e perfeccionista, e mais de uma vez me vi tomada de um sentimento de revolta que não iria me levar a lugar algum. É assim que eu tento ver o filme Guerra Mundial Z, baseado no livro de mesmo título. Já falei um pouco sobre isso em outro post no blog, mas aqui vamos aprofundar mais um pouco!

Primeiro vamos falar do livro…

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O livro é exatamente um conjunto de relatos orais de diversas pessoas do mundo todo sobre suas experiências durante determinada fase desta “guerra contra os zumbis”.

Com uma estrutura similar a um livro de contos, cada relato é agrupado de acordo com uma fase da grande epidemia como por exemplo “Alertas” e “O Grande Pânico”.

O entrevistador se faz pouco presente e realmente a fala de cada personagem se torna o foco. A introdução do livro contextualiza a origem da coletânea de relatos, então acho bacana darem uma olhada. Resumindo, o entrevistador é um agente da Comissão Pós Guerra que resolve escrever um livro com relatos que coletou 10 anos após o fim da grande guerra contra os zumbis.

A variedade de experiências torna este livro muito rico: temos o relato do médico que viu o que poderia ser o paciente zero da contaminação; soldados que sobreviveram a um grande confronto direto, órfãos, diretores de cinema, contrabandistas de órgãos, entre diversas outras figuras.

O teor dos relatos também é impressionante, uma vez que muitos comportamentos relatados são facilmente identificáveis atualmente: negação do problema por ceticismo, tentativas governamentais de encobrir a epidemia, empresas buscando lucrar alto com a doença, produções de programas de TV com famosos em reclusão, refugiados, mercenários, entre vários outros. E os relatos das pessoas como eu e você são muito tocantes e provocam uma empatia enorme.

A construção dos relatos é feita de forma tão fidedigna que realmente poderiam ser relatos reais, caso uma infecção global dessas ocorresse hoje em dia.

O que eu mais gosto nesse livro, além de toda esta riqueza de relatos, é a elaboração complexa do que vem depois. Todos estamos familiarizados com essa temática: começa a infecção, ela se espalha rapidamente, tudo vira caos, o mundo como conhecemos acaba e cada um tem de lutar pela sobrevivência. Mas e aí? O que vem depois? E os governos, as indústrias? Realmente tudo acaba nisso? Este livro foi além do óbvio e deu resposta para várias de minhas perguntas. Max Brooks criou toda uma linha cronológica de acontecimentos que, sinceramente, faz muito sentido!

Arrisco dizer que é o meu livro favorito de zumbis de todos os tempos!

Agora o filme….

bahzofilaetc_querra_mundial_z_filme_capaSimplesmente mais um filme de ação hollywoodiano. O personagem principal é Gerry (Brad Pitt), ex-agente da ONU, que se vê em meio ao apocalipse zumbi e tem que fazer uso de suas habilidades e inteligência para encontrar uma cura e salvar o mundo.

Temos todos os elementos de um filme de ação moderno com zumbis: muita correria, explosões, hordas gigantescas de zumbis, transformações super rápidas e caos.  Para completar, aquela clássica figura masculina americanizada, que vai superar todos os obstáculos para proteger a sua família e salvar o mundo.

Pois é… Cadê toda aquela riqueza literária que temos no livro? Aquela diversidade de relatos e experiências? Cadê as críticas aos sistemas políticos, econômicos, sociais?

É possível ver algumas pinceladas de referências ao livros, como a “quarentena voluntária” de Israel, a presença das Nações Unidas em toda a situação, a comparação do vírus à raiva e até a visita a alguns países pode ser considerada uma menção. Mas os amantes do livro ficarão decepcionados.

O que me leva ao começo desse post… Adaptações serão sempre adaptações, e umas serão melhores do que outras.

O filme não é de se jogar no lixo (apesar de dizer – impulsivamente –  o contrário naquele meu outro post). Se pensado isoladamente, é um bom filme de ação de zumbis que vai te deixar angustiado, como todo bom filme de zumbis deve fazer. Tem elementos novos na história que são interessantes e, num geral, é um filme que entretêm bem.

Pessoalmente, prefiro ignorar que as duas obras têm alguma conexão – apesar de possuírem o mesmo nome e pouquíssimas similaridades. Me divirto assistindo ao filme, mas reler o livro é uma experiência incrível.

Para aqueles que ficaram interessados no livro (publicado inicialmente pela 1001 Mundos e depois pela Rocco), vocês podem encontrá-lo na Saraiva, na Amazon (melhor preço) e em diversas outras livrarias. O filme (veja o trailer aqui) foi recentemente adicionado à biblioteca de filmes do Netflix.

É isso!

E você? O que acha das duas obras? Deixe sua opinião aqui nos comentários!

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6 comentários sobre “.Livro X Filme: Guerra Mundial Z

  1. Hanna disse:

    Só assisti ao filme e realmente achei muito bom! Um dos melhores filmes que vi nos últimos meses e o melhor dentre os de zumbi que eu conheço e olha que não sou muito fã de zumbi não. Mas lendo o que você escreveu agora tô morrendo de vontade de ler o livro! ^_^

    Curtido por 1 pessoa

  2. Barbara M. disse:

    Eu assisti a esse filme e achei bom, embora meu interesse em zumbis seja zero. A forma com que você falou do livro me deu muita vontade de ler, mas mais pela curiosidade que tenho com relação as mesmas coisas que você, como por exemplo o que acontece depois, sabe? Você ter mencionado Entrevista com Vampiro me lembro A Rainha dos Condenados, que em contrapartida foi uma obra assassinada no cinema.

    Curtido por 1 pessoa

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