Sobre se perder e se encontrar

Às vezes temos um caminho muito claro a trilhar, com objetivos definidos e algumas rotas alternativas caso seja necessário. Podemos estar recém realizados por superar um desafio, ou por ter conquistado algo muito desejado. Podemos chegar ao ponto de ter passado por uma experiência difícil, talvez termos aprendido a lição e sentir que estamos mais fortes.

E aí algo acontece. Pode ser qualquer coisa, mas essa coisa chega e te tira todo o chão. Pode ser uma coisa que te acerta em cheio como um furacão, de uma vez, ou algo pequeno que gradualmente desencadeia uma bola de neve.

Você se vê correndo atrás daquele sentimento de equilíbrio, de realização, de completude. De repente você não se sente tão forte quanto antes e chega a questionar certas decisões. Você pode chegar a questionar suas próprias conquistas, e até as lições que aprendeu. A dúvida pode ir longe… e te fazer questionar quem você é, o que te motiva, qual seu objetivo na vida.

Aí você se perde. E ajustar o foco daquela imagem tão clara fica difícil. É a sensação de estar suspenso, congelado no tempo, enquanto o mundo continua girando. Quando você se perde a sensação mínima de controle e poder se esvai.

Em tentativas desesperadas olhamos para todos os lados, consideramos todas as alternativas, e percebemos que de tanto correr e tentar abraçar o mundo estamos sem fôlego e muito confusos.

Claro, à medida que os anos passam nós aprendemos muitas coisas e “sabemos” de muitas coisas. “Aprendemos” muitas lições. Mas eu acredito que existem dois níveis de aprendizado: o aprendizado racional, da cabeça; e o aprendizado emocional, do coração.

Já ouvimos dizer várias vezes que “Deus escreve certo por linhas tortas”, ou “para cada porta que se fecha, uma outra se abre” ou qualquer outro ditado similar. Todos já ouvimos, e vários de nós já passaram por experiências desse tipo. Aprendemos racionalmente, com a cabeça, que a vida não segue numa linha reta, por mais que uma linha reta seja exigida de nós.

Então algo acontece e você se vê desolado por um sentimento que você acreditava já ter superado, não sabendo lidar com uma situação com a qual você já conseguiu lidar antes. E é nessas horas que é possível ver que não aprendemos com o coração. Racionalmente sabemos a resposta, sabemos a solução, mas o coração não acompanha a cabeça. Tanto não acompanha que muitas vezes não conseguimos materializar o que a cabeça sabe por bloqueios do coração.

Eu poderia seguir descrevendo o desamparo que é se perder por um longo tempo (também porque sinto que estou neste turbilhão, ao meu modo) mas acho que tudo tem dois lados e sempre é necessário parar, respirar fundo, e tentar enxergar o outro lado da perda.

Se tem uma lição que eu aprendi esse ano – e acredito ter aprendido com o coração – é que todo problema, não importa o quão escabroso ou hediondo, contém nele mesmo a solução. E isso vale para tudo. Problemas financeiros, amorosos, de saúde, tudo. Tentar ver o problema não como o seu inimigo mas como um mensageiro com informações importantíssimas sobre algo foi uma coisa muito difícil que aprendi em 2015.

Acredito que momentos de crise são oportunidades para grandes transformações, mas elas nunca são fáceis. E quão maior ou mais significativa, mais intenso será o processo. Pode ser uma superação emocional, uma aceitação, uma tomada de decisão que demandará muita energia. Mas, se passarmos pelo processo de braços abertos e nos entregarmos, sairemos desse furacão mais fortes.

Se perder pode ser uma nova chance de olharmos para nós mesmos e nos conhecermos melhor. Talvez se perder seja o primeiro passo para nos aproximarmos cada vez mais daquela pessoa que realmente somos.

Vivemos num mundo massacrante, exigente, e acabamos nos tornando pessoas diferentes, distanciadas da nossa essência. Podemos estar tão imersos nessa “pessoa” que precisamos de uma boa sacudida para abrirmos os olhos e voltar a atenção pro que tá lá dentro, o que realmente importa.

Uma das coisas que “me perder” me fez enxergar foi enxergar que o caminho que escolhi não dava espaço para fazer as coisas com as quais eu mais me identifico, e pelas quais e com as quais eu consegui muito evoluir como pessoa. Mais do que isso, que essa escolha foi consciente: que eu mesma me privei das coisas que mais amo no caminho que trilhei. E precisei ser sacudida, sofrer e passar por mais perdas.

Encarar a feia verdade, olhar diretamente nos olhos de Baba Yaga (entendedoras entenderão) é difícil e doloroso, mas necessário. E acredito que para se encontrar é necessário olhar para aquilo que é feio ao nossos olhos, algo que não gostamos, mas que precisamos aceitar; ou ver aquilo que precisa deixar de existir para dar vida a algo novo e deixar que aconteça (novamente, entendedoras entenderão).

Se encontrar também é se permitir recomeçar. E à medida que o tempo passa fica cada vez mais difícil. Digo isso pois esse ano eu fiz 30 anos e a pressão de se ter uma vida resolvida e ser uma pessoa resolvida é enorme. Aprendi nos meus 20 anos a aceitar e buscar recomeços, mas agora a idéia é um “pouco” assustadora.

Nossa, recomeçar aos 30? – Sim, eu posso e você também pode recomeçar aos 20, 30, 40, 50, 60, 70….

E a gente se encontra quando desapegamos da idéia de que nunca deveríamos termos nos perdido. Quando realmente nos entregamos ao processo. Quando desapegamos de conceitos como controle, conforto, e evolução em linha reta.

O desapego da “linha reta” é uma lição que ainda não aprendi inteiramente com o coração, pois sempre sofro com ela, mesmo sabendo de cor – com a cabeça – que a vida não segue em linha reta. A vida mais parece um emaranhado de linhas, e isso não é ruim. Talvez a vida nem seja uma linha…

Quando a gente se liberta, se entrega, toda aquela energia que gastávamos nos prendendo a alguma coisa está agora livre para ser empregada em algo novo. E acredito ser essa a força que usamos para nos reerguer.

Então eu espero com todo o meu coração que, caso você esteja perdido(a), consiga se entregar, deixar livre a sua energia e que consiga canalizá-la naquilo que realmente importa. Espero que você consiga se olhar, se aceitar, se fortalecer e se encontrar.

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Fonte: Coisas Boas Acontecem

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